Fundado em 1978 na efervescente cena de Bristol, o The Pop Group surgiu como uma verdadeira anomalia criativa no panorama do pós-punk britânico. A formação original contava com Mark Stewart nos vocais, Gareth Sager e John Waddington nas guitarras, Simon Underwood no baixo e Bruce Smith na bateria e percussões. Longe de seguir os moldes do punk ortodoxo, o grupo rapidamente se destacou pela sua fusão de elementos do free jazz, dub e experimentalismo, sempre com uma postura politicamente incendiária.
Seu primeiro registro foi o single "She Is Beyond Good and Evil", lançado em 1979 pelo selo Radar Records uma explosão sônica que já deixava claro o desvio da banda em relação às fórmulas do rock convencional. A canção, influenciada tanto por Nietzsche quanto pelo dub jamaicano, apresentava uma combinação crua de groove, dissonância e poesia apocalíptica.
Ainda em 1979, o grupo lançou seu primeiro álbum completo, "Y", produzido por Dennis Bovell, figura-chave do dub britânico e colaborador de artistas como Linton Kwesi Johnson. "Y" foi um marco de experimentação, antecipando estéticas que só seriam exploradas mais amplamente nos anos seguintes. Apesar da recepção crítica positiva, o disco teve pouco impacto comercial, o que não impediu o The Pop Group de ser acolhido pela influente Rough Trade Records gravadora símbolo do pós-punk independente no Reino Unido.
Com a saída de Simon Underwood (que mais tarde se juntaria ao Pigbag), quem assumiu o baixo foi Dan Catsis. Já sob o selo da Rough Trade, a banda lançou o incendiário single "We Are All Prostitutes", em parceria com o violinista de vanguarda Tristan Honsinger, conhecido por seu trabalho com o Art Ensemble of Chicago e outros nomes do free improvisation. A faixa é talvez uma das mais viscerais declarações políticas do grupo, denunciando o consumismo, o colonialismo e a hipocrisia social com uma fúria quase profética.
Em 1980, o The Pop Group lançou seu segundo álbum, "For How Much Longer Do We Tolerate Mass Murder?", desta vez em colaboração com os The Last Poets, precursores do rap político nos EUA. O disco levava adiante o espírito rebelde da banda, misturando batidas tribais, riffs esquálidos e palavras de ordem contra o imperialismo e a alienação. Ainda nesse período, gravaram uma split com The Slits, outra banda essencial da cena pós-punk britânica, com quem compartilhavam não apenas afinidades sonoras, mas também a baterista Bruce Smith e a empresária Christine Robertson.
No entanto, desentendimentos internos e questões legais acabaram por minar o coletivo, que se dissolveu em 1981. Seus membros seguiram por caminhos diversos, com destaque para o projeto Rip Rig & Panic, que levava adiante o experimentalismo caótico com uma pegada ainda mais jazzística, e contou com a participação da jovem Neneh Cherry.
Apesar de sua breve existência inicial, o legado do The Pop Group é imenso. Sua música desafiou os limites do rock e do discurso político na arte, influenciando gerações futuras que enxergaram na cacofonia não um ruído, mas uma forma legítima de resistência.
Discografia
The Pop Group 1978
Y 1979
For How Much Longer Do We Tolerate Mass Murder? 1980
Citizen Zombie 2015
The Boys Whose Head Exploded 2016
Honeymoon On Mars 2016
Y Live 2020
Alien Blood 2020
Y in Dub 2021


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